PISA NÃO É UMA TORRE
Saímos de La Spezia em direção a Pisa por uma rota de aproximadamente 76 quilômetros. O percurso, como tem sido característico nessa viagem, revela um padrão muito claro: cidades antigas construídas no topo dos morros. Não é algo isolado. Já tínhamos visto isso nas vilas de Cinque Terre, mas aqui se confirma como traço histórico — ocupações estratégicas, sempre no alto.
Durante o trajeto, ao fundo, surgem montanhas com neve no pico. Uma camada branca marcando o topo da paisagem. Trata-se dos Montes Apeninos, cadeia montanhosa que percorre o país do norte da Ligúria até a Sicília, por cerca de 1.200 quilômetros. É como uma espinha dorsal da Itália. Uma presença constante no horizonte.
No caminho, cruzamos a divisa entre Ligúria e Toscana, passamos por pedágio e entramos na autoestrada. Lá embaixo, filas de carros. À frente, Pisa.
Chegada e decisão de segurança
Estivemos muito próximos da Torre de Pisa, inclusive no estacionamento. Porém, relatos no aplicativo Park4Night indicavam arrombamentos de veículos e até de autocaravanas naquele ponto. Não nos sentimos seguros.
Optamos por um camping mais afastado e seguir de ônibus. Fizemos cerca de 11 quilômetros até a área mais central. O sistema de transporte não é simples: aplicativo, cartão, validação… Em determinado momento, decidimos fazer parte do trajeto a pé — pouco mais de um quilômetro.
À medida que nos aproximamos, a paisagem muda. Casas amplas, terrenos grandes, ausência de prédios altos. Um contraste evidente com as comunas compactas das Cinque Terre.
O impacto visual da torre
A primeira impressão é inesperada:
ela não é tão alta quanto imaginávamos.
A Torre de Pisa tem 56 metros de altura. Pequena em proporção ao imaginário coletivo, mas impactante pela inclinação real. Não é efeito de vídeo. Ela é torta — visivelmente torta.
O conjunto da Piazza dei Miracoli impressiona pela harmonia. Ao lado da torre está a Catedral de Pisa, com fachada detalhada e colunas alinhadas de forma precisa. Tudo em mármore claro.
A torre foi iniciada em 1173. Afundou devido ao solo instável. Chegou a inclinar ainda mais do que hoje. Posteriormente, engenheiros encontraram um ponto de equilíbrio estrutural que permitiu sua estabilização sem corrigir totalmente a inclinação. Se estivesse perfeitamente reta, talvez não tivesse se tornado símbolo mundial.
Os blocos de mármore são maciços. As colunas seguem padrão vertical — não são intercaladas. Cada nível mantém repetição geométrica rigorosa.
Valores e acesso
- Subir na torre: cerca de €20
- Catedral: €8
- Combo completo: €27
- Durante a missa, entrada gratuita na catedral
Há controle de ingresso e limite de pessoas no topo.
Observações ao redor
A praça recebe visitantes de todo o mundo. Muito movimento. Pouco português ouvido no entorno. Parte da área frontal estava em obras, dificultando certos ângulos de fotografia.
Há muralhas antigas cercando o complexo. Não se trata exatamente de um castelo, mas de uma estrutura histórica de proteção e delimitação.
Ao fundo, músicos tocam instrumentos de sopro. O ambiente é turístico, mas ainda assim preserva imponência.
Encerramento do dia – Marina di Pisa
Mais tarde seguimos para Marina di Pisa. Veleiros ancorados, uma passarela voltada ao mar, um obelisco dedicado a Giuseppe Garibaldi. A lua cheia surgiu sobre o horizonte.
O dia terminou com mar, madeira, silêncio e luz branca refletida na água.
A viagem foi linda. O clima colaborou. A torre surpreendeu.E tudo pode ser visto no Vídeo a baixo. E a próxima parada já estava definida: Lucca, conhecida por suas muralhas medievais preservadas.
Seguimos.