NATAL COM NEVE
Natal com neve
No dia 23 de dezembro, estávamos no litoral da Espanha, na Costa Brava, com a nossa autocaravana Camicleta, na nossa Viagem dos Sonhos pela Europa. Eu, Oriom, e a Lilian.
Aquele sonho de criança — de um brasileiro que nunca viu a neve, mas que sempre a viu nos filmes de Natal — trouxe à tona essa vontade, esse desejo de viver isso de perto. E estando aqui na Europa, tão próximos de locais com neve, e com muita neve em abundância, resolvemos, no dia 23, seguir em direção aos Pirineus.
Não ficava tão distante, mas a estrada tinha uma inclinação muito alta, e estávamos no pleno inverno europeu. Tratamos, então, de comprar as cadenas, como eles chamam aqui — as correntes que se colocam nos pneus.
Iniciamos a viagem. Entre a Costa Brava e a França, porque viemos para os Pirineus do lado francês, tivemos que cruzar uma extensa cadeia de montanhas: rodovia muito íngreme, muito estreita e extremamente sinuosa. Curva atrás de curva, algo difícil até de descrever.
Em alguns trechos, passava apenas um carro por vez, exigindo atenção máxima. Estava chovendo, mas o desejo de chegar ao outro lado era maior. Seguimos em frente.
Confesso que fiquei muito nervoso. A responsabilidade é grande quando se conduz um veículo pesado. Havia placas alertando sobre vento forte, escritas em francês, mencionando autocaravanas, e nós não compreendíamos exatamente o que queriam dizer. Mesmo assim, continuamos, até porque, de vez em quando, cruzávamos com outras autocaravanas no sentido contrário.
Seguimos sem fazer nenhuma parada e cruzamos a fronteira com a França já no topo das montanhas. Dirigimos em direção a Mont-Louis, um local elevado nos Pirineus.
Durante o percurso, um veículo passou à nossa frente com cerca de 20 centímetros de neve acumulada no teto. Pouco depois, outro. E outro. Até que começou a nevar. Logo vimos uma placa luminosa indicando a obrigatoriedade do uso das cadenas.
Paramos e fizemos a colocação. Nunca tínhamos colocado correntes nos pneus, mas, no dia anterior, havíamos estudado e treinado o procedimento. Ainda assim, deu muito trabalho. A Lilian me ajudou, as mãos gelaram, foi difícil.
Depois de rodar cerca de 200 ou 300 metros, uma das correntes caiu no meio da pista. Tivemos que parar praticamente no meio da estrada e recolocar a corrente sob neve e frio intenso. Isso se repetiu mais três vezes.
Na última tentativa, decidimos seguir apenas com uma corrente em um dos pneus. Subimos os Pirineus muito devagar, com todos os veículos andando lentamente.
Chegamos a Mont-Louis e decidimos ficar ali mesmo. Foi uma decisão acertada. No dia 24, o sol apareceu e pudemos passear tranquilamente. Hoje, dia 25 de dezembro, acordamos com neve caindo novamente.
Registro agora: são 11 horas e 23 minutos do dia 25 de dezembro de 2025.
Fiquem com algumas imagens desse lugar maravilhoso. Lembrem-se: o sonho é apenas a primeira fase. A execução é o que transforma o sonho em realidade.
Um beijo no coração de todos. Sigam a gente no YouTube, no Instagram e aqui no blog. Comentem, perguntem — estamos à disposição. São mais de 10 anos vivendo na estrada, em autocaravana.
Fui. Como eu sempre digo.
Galeria final
Natal com Neve nos Pirineus — O sonho de um brasileiro dentro de uma autocaravana
Uma viagem inesperada entre neve, medo, estradas perigosas e a realização de um sonho de infância vivendo na estrada pela Europa.

Saindo da Costa Brava em direção aos Pirineus franceses, enfrentamos montanhas perigosas, neve intensa e uma das experiências mais marcantes da nossa vida na autocaravana Camicleta.
❄️ A estrada mais perigosa da viagem
A estrada parecia não terminar nunca. Curvas extremamente fechadas, pistas estreitas e chuva constante transformaram a travessia em um verdadeiro teste de concentração.
Em alguns trechos, apenas um veículo passava por vez. E mesmo sem entender totalmente os avisos em francês sobre vento forte para autocaravanas, seguimos em frente rumo às montanhas.


🧊 Colocando correntes na neve
Quando a neve começou a cair com força, surgiram os avisos obrigando o uso das cadenas — as correntes colocadas nos pneus para conseguir continuar subindo os Pirineus.
Nunca tínhamos feito aquilo antes. Mesmo depois de estudar e treinar no dia anterior, colocar as correntes no frio intenso foi muito mais difícil do que imaginávamos.
